Sites Grátis no Comunidades.net
Translate this Page

Rating: 3.7/5 (10 votos)



Partilhe este Site...

?


Dama da Noite - KaiBon
Dama da Noite - KaiBon

 

Ah, a doce e gentil Bonnie Bennett, bruxa poderosa, a pessoa que sempre se sacrificou por seus amigos.
Que final trágico lhe aguardara, não?
Ter a vida ligada à de sua melhor amiga, Elena, foi muito cruel. Saber que enquanto ela estivesse viva, sua amiga continuaria em um caixão lhe doía a alma, mas Bonnie não era imortal. Um dia, sua hora chegaria, e, Elena voltaria a ver o mundo ao lado de seu grande amor, e agora melhor amigo de Bonnie, Damon, e ela seria lançada no esquecimento.

 

 

Prólogo:

 

 

          Elena abriu os olhos, lentamente, e levantou-se se assentando no caixão. Seu raciocínio estava lento por causa do grande tempo que passou em seu sono profundo. O som da chuva que caía do lado de fora invadida seus ouvidos, e ela tentava alinhar seus pensamentos.

         Onde estou? Elena perguntava a si mesma, enquanto encarava o caixão em que estava. O lugar em que estava não lhe parecia nada familiar, Elena não se lembrara de estar ali antes. Damon. Um nome invadiu seus pensamentos, o nome de seu amado.

        Elena se lembrou do que havia acontecido para que ela estivesse ali. Oh não, Bonnie... uma tristeza indescritível invadiu o ser de Elena, estar acordada novamente significava que sua melhor amiga, Bonnie, estava morta. Ela tentou não pensar nisso, mas era impossível se sentir culpada por estar viva. Lágrimas se apossaram dos olhos de Elena, e ela se deitou novamente no caixão, desolada.

        Elena ouviu a porta se abrir, e por um segundo pareceu que a chuva estava inundando o local. A porta se fechou. Uma reputação ofegante se aproximava de Elena, e ela teve medo de que fosse o mesmo maldito que a ligou a vida de Bonnie. Ela engoliu em seco, e esperou que os passos parassem. Elena tateou o caixão na esperança que alguém tivesse deixado ali algo que ela pudesse usar para se defender. Nada!

          - Elena... - a voz sussurrou.

          Elena gelou. Seu coração martelou mais forte. Àquela voz... ela se levantou rapidamente. Um sorriso junto às lágrimas. Os olhos de Elena brilhavam como estrelas cintilantes. Ela não tinha noção do tempo, nem do espaço, mas sabia que já fazia algum tempo que não ouvia àquela voz.

          - Damon...

 

 

Capítulo 1

 

 

 

      Elena terminava de ajeitar seu vestido preto, curto e justo, que desenhava perfeitamente sua silhueta. Seus olhos estavam vermelhos, e lágrimas ainda desciam dos mesmos. Ela parou de frente ao espelho e secou os olhos com o braço. Ela olhou pela janela e o sol estava fraco, nuvens se formavam no céu. Parecia que ia chover, então, ela se lembrou do dia em que Bonnie lhe disse que sempre que uma pessoa boa morria, o céu chorava em luto por essa pessoa. Elena andou até a janela e colocou a mão no vidro com um sorriso em seu rosto ao pensar que Bonnie estava certa, o céu estava de luto por ela.

      Ah, Bonnie Bennett... Minha grande amiga, você vai fazer tanta falta. Elena disse para si mesma em pensamento.

      - Ela era a melhor pessoa do mundo. - a voz de Caroline invadiu o quarto, e Elena enxugou as lágrimas rapidamente com as mãos. Caroline andou até Elena. Seu vestido, também preto, porém rodado a deixava um tanto delicada. - Não precisa fazer isso, Elena. - Ela segurou uma das mãos de Elena, assim que a abraçou. - Todos nós estamos sofrendo pela morte da Bonnie. Não precisa tentar esconder suas lágrimas.

      Elena voltou a chorar.

      - Eu nem pude me despedir dela, Caroline, eu não pude. - elas se abraçaram novamente.

      - A culpa não é sua, Elena. E você vai poder se despedir agora. - Caroline tentava ser o mais positiva possível, mas parecida que nada do que ela dissesse seria capaz de tirar o sentimento de culpa das costas de Elena.

      - Eu perdi tanta coisa que poderia ter passado ao lado dela. Ela não merecia isso, não merecia.

      - Realmente, Elena. - Damon apareceu na porta, cabisbaixo. - Bon não merecia isso, mas ela se sacrificou por você. - Damon percebeu o quanto isso soou egoísta e acusador, e reformulou a frase rapidamente. - Ela se sacrificou por todos nós. Ela morreu como uma heroína, Elena. - Damon andou até ela. - O Stefan está te procurando, Loirinha. - disse ele a Caroline.

      - Você vai ficar bem?

      Elena assentiu.

      - Pode ir. Eu vou ficar bem.

      - Eu cuido dela, Caroline. Pode ir.

      Caroline balançou a cabeça em concordância e saiu.

      - Senti tanto a sua falta. - Damon quebrou o silêncio se aproximando até ficar frente a frente com Elena. Eles se olharam nos olhos por alguns segundos, antes de Damon a beijar.

      Que saudades Elena tinha daqueles lábios. Saudades de se sentir livre, da forma que só se sentia quando estava com Damon. Elena parou.

      - Damon, o que houve com o Kai? - ela engoliu em seco. - Foi ele quem...

      - Não. Não foi ele quem matou a Bonnie. - Damon passou a mão entre os cabelos finos e sedosos de Elena. - Digamos que ele perdeu a cabeça, antes disso. - disse ele com ironia.

 

 

Três anos antes

 

 

      - Eu pensei que fosse morrer, Damon, por que você demorou tanto? - Bonnie chorava. Ela andava de um lado para o outro esperando uma resposta de Damon.

      - Eu parei para pensar por três segundos, Bon... - Damon tentou se explicar, mas foi interrompido por ela.

      - Três segundos, Damon? Eu poderia ter morrido em três segundos. - Ela parou para lhe olhar com reprovação. Você sabe o que são três segundos em uma situação de vida ou morte, Damon?

      - Bem, no primeiro segundo, pensei que se você morresse, eu poderia ter Elena de volta. No segundo dois eu pensei no beijo de Elena, e na vida que podíamos ter juntos. E no terceiro segundo eu lembrei que você, Bonnie Bennett, é a minha melhor amiga, e que eu não podia ter deixar morrer. Então, a resposta é: Sim, Bon Bon, eu sei o que são três segundos. - Ele andava até ela enquanto falava.

      - Ah, Damon... - ela o abraçou.

 

 

      - Eu jamais deixaria ele fazer mal a ela, Elena.

      - Obrigada, Damon. - ela o abraçou, e ele afagou seus cabelos encostando sua cabeça em seu peito.

      - Agora vamos, Elena. Temos um enterro para ir.

      Eles saíram do quarto em passos lentos.

 

***

 

      O vento soprava gentilmente seu rosto. Ela tentava abrir os olhos, mas suas pálpebras estavam pesadas, e seus olhos não estavam normais, eles enxergavam embaçados. Ela se assentou e se escorou em uma árvore que estava ao seu lado. O som das folhas balançando eram suaves, e acalmavam seu coração, que martelava ferozmente. Ela inspirou o ar profundamente.

      - Oi, Bonnie Bennett. Sentiu saudade? - Ele indagou com um sorriso no rosto.

      Bonnie arregalou os olhos com pavor.

      - Kai... - Bonnie engoliu em seco.

 

 

 

Capítulo 2

 

 

 

      Elena estava de pé diante o caixão frio de Bonnie, que era permanecido fechado para que ninguém visse a situação em que se encontrava o corpo. As lágrimas de Caroline e Elena rolavam. Damon abraçava Elena na esperança de consolá-la, e Stefan à Caroline.

      Enzo abriu a porta da igreja, e adentrou lentamente com os olhos vermelhos e inchados por terem passado as últimas horas chorando. Ele não conseguia acreditar que perdera sua amada. A perdeu de forma tão agressiva. Ele sentia que suas forças escapavam de seu corpo, e tinha medo que elas jamais voltassem sem Bonnie Bennett ao seu lado.

      Enzo parou de frente ao caixão, e permaneceu parado ali por alguns segundos. Não pode ser verdade. Isso não está acontecendo. Àquilo não entrava em sua mente. Não era como o sangue que o alimentava, que era fácil de engolir. Ele levou a mão até a tampa do caixão para abri-lo e se certificar quem quem estava ali era realmente sua querida e amada Bonnie.

      - Não faça isso, Enzo. - Damon sussurrou ao seu lado. Ele sabia que todos ficariam aterrorizados com o que veriam.

      Os olhos de Enzo se tomaram em lágrimas que ele deixava cair.

      - Bonnie... - Ele sussurrou. - Ela não... - Enzo saiu dali feito um raio. Ninguém tentou segurá-lo, pois, entendiam sua dor.

      Matt se aproximou com uma rosa vermelha, e a beijou antes de sobre a tampa do caixão.

      - Espero que esteja em um lugar melhor, Bonnie. - disse ele se afastando.

      Elena se soltou dos braços de Damon para abraçá-lo em solidariedade.

      Damon foi até o caixão, enquanto Elena ainda abraçava Matt.

      - Obrigado por tudo, bruxinha. - disse ele, relembrando o tempo em que Bonnie não o suportava e que ele fazia de tudo para provocá-la. - Vou sentir saudades, Bon Bon. - ele deu as costas para o caixão, e viu Elena passar ao seu lado, enquanto ele se afastava.

      - Me perdoe, Bonnie... - Elena soluçou. - Eu nunca desejei isso para você... Eu não queria... - Ela voltou a chorar histericamente.

      Elena... Damon se viu a abraçando. Seu instinto de protegê-la era tão forte, que ele fazia isso mesmo sem perceber.

 

***

 

      - Não se aproxime de mim, Kai, ou eu...

      - Você não vai fazer nada, Bon. - Kai a interrompeu, se prontificando a ajudá-la a se levantar, estendendo a mão para ela. Bonnie não retribui o gesto. - Anda, Bon, por favor.

      - Você tentou me matar. - disse ela hesitante.

      - Tecnicamente, você já está morta, Bon, e não foi eu quem te matou. - Ele insiste novamente para que ela pegue sua mão.

      Bonnie arregalou os olhos ao ver o primeiro flash relampejar em sua mente. Saia daqui, Damon, e leve o Enzo com você. Sua voz ecoava. Eu não vou perder vocês de novo. Ela olhou para a expressão dócil de Kai, que mantinha um sorriso em seu rosto.

      - O que aconteceu? E, se eu estou morta, que lugar é esse? Já que o outro lado não existe mais. - Bonnie encolheu os joelhos se aproximando ainda mais da árvore.

      - Venha comigo e eu te conto tudo o que quiser saber. - Kai ergueu as sobrancelhas, ainda com a mão voltada para Bonnie, que hesitou por um tempo antes de lhe corresponder.

 

***

 

      Elena entrou no Civic Turbo de Damon pela porta do carona, e Damon a bateu, fechando-a. Ele rodeou o carro até a porta do motorista e entrou. A respiração lenta de Elena se transformaram em choramingos.

      - Se existir um jeito de trazê-la de volta, se existir só uma esperança... Eu vou encontrar, Elena. Eu prometo a você que eu...

      - Para, Damon. - ela o interrompeu.

      Damon suspirou ao olhar o rosto desesperançado de Elena. Ela era mais linda do que ele se lembrava, mas ele não conseguia se centrar em sua beleza.

      - Não existe um "jeito" de trazê-la de volta, Damon. - Ela passou seus dedos finos e compridos em seus cabelos sedosos, tentando arrumá-los atrás da orelha. - O outro lado já era, Damon, então, não me faça criar esperanças, porque eu sei que vou me arrepender se fizer isso. - Elena voltou a chorar.

      Damon assentiu e girou a chave na ignição.

 

 

 

 

 

 

Capítulo 3

 

 

O parque era grande. Bonnie não se lembrava de ter visto tanto verde antes. As árvores dançavam conforme o vento as soprava. A calçada de pedra fazia massagem nos pés de Kai e Bonnie enquanto andavam pelo parque. Dava para ouvir o cantar dos pássaros.

Aquele local fazia com que Bonnie sentisse a magia falar com ela.

Kai parou em uma mesa de madeira, com bancos feitos de troncos de árvores.

- Me acompanha? - Ele gesticulou para que ela se sentasse.

- Ok. - Bonnie se sentou. - Pronto. Estamos aqui. Já pode me explicar o que está acontecendo.

Kai a acompanhou e se sentou de frente para Bonnie do outro lado da mesa. A sombra das árvores ao redor deixava o ambiente fresco. Ele ergueu um sorriso tão amigável que poderia convencer Bonnie de que Kai, realmente, não fosse o louco, psicopata que a ligou a Elena Gilbert.

- É. Eu não sei por onde começar. - disse ele sem tirar o sorriso do rosto.

- Que tal me pedindo desculpas pelo que me fez e à Elena?

- Ok. Me desculpa, Bonnie. - Kai mudou sua expressão alegres para uma expressão de culpa profunda. - Eu... - Ele fez uma pausa. - Eu sei que pedir desculpa não é o suficiente pra apagar tudo o que eu fiz a você.

- Com certeza não. Mas não é isso o que eu quero saber, Kai.

- Eu sei.

- O outro lado foi destruído. Então será que você pode me explicar o por quê de ainda estarmos aqui, e por quê só tem nós dois aqui? - Bonnie engoliu em seco. Ela não sabia se queria ouvir a resposta.

- Antes de eu me tornar um herege, a Lily me deu um pouco do sangue dela. Eu o bebi, mas antes de ir para o casamento da Jô eu criei esse lugar para não correr o risco de ficar perdido se algo me acontecesse. - Kai entrelaçava os dedos desconfortável.

- Ok, mas eu ainda não entendi o porque de eu estar aqui. - Disse Bonnie áspera.

- Passei muito tempo no mundo prisão... Sozinho. - Kai abaixou o olhar. - E depois de tantos anos, você apareceu Bon. Você pode não acreditar, mas eu te olhava todos os dias. Eu nunca tinha visto um sorriso tão lindo quanto o seu.

- Aí você decidiu tentar matar eu e o Damon pra poder fugir de lá. - Bonnie mantinha o olhar fixo em Kai. - Você enfiou um fação na minha barriga, Kai.

- Eu sei, Bonnie. Eu estava desesperado. - Ele ergueu o olhar para ela. - Eu tentei te convencer de que tinha mudado depois de ter me fundido ao Luke, mas mesmo assim você me prendeu de novo naquele lugar.

- E você se vingou.

- E eu fiz isso pra me redimir com você, Bonnie. Não foi só por mim que fiz esse lugar, foi pra você também. Eu não queria que sua alma ficasse perdida por minha causa.

- Se redimir? Me prendendo sozinha com você? Eu preferia ter ficado perdida. - Bonnie se levantou e saiu andando rapidamente pelo parque.

- Bonnie, espera. - Kai apareceu na frente de Bonnie e tocou seu pulso lentamente. - Me dá uma chance. Eu não criei esse lugar aprender para mim e você. Elena Gilbert e todas as pessoas que têm algum vínculo com você são bem vindos.

- O que quer dizer com isso? - Bonnie se soltou sem precisar ser agressiva.

- Quando Elena ou qualquer um de seus amigos morrer, será trazido para cá, pra perto de você, Bon. Vão poder passar a eternidade juntos.

Bonnie engoliu em seco.

- Por que está fazendo isso?

- Eu gosto de você, Bonnie, e eu nunca me perdoei pelo que fiz a você e a Elena, então eu criei um mundo onde - Kai fez uma pausa enquanto olhava todo o ambiente. - o clima é sempre de paz, para poder me desculpar pelo que fiz.

- Mesmo que isso seja verdade, Kai. Eu nunca vou te perdoar pelo que você fez.

- Acredite em mim, Bonnie. Eu mudei. E eu vou te provar isso.

Bonnie o encarou com os olhos lacrimosos. O vento fez com que seu cabelo chicoteasse seu rosto. Kai voltou a sorrir, e Bonnie pensou seriamente se acreditava ou não nas palavras dele. O que ele havia feito a ela, era pior do que qualquer um já tinha feito.

- E pra começar, quero te apresentar o lugar. - Kai levantou o braço para Bonnie. - Me acompanha?

Bonnie rejeitou Kai revirando os olhos e dançando alguns passos.

- Eu estou com fome. Espero que tenha aprendido a cozinhar nesse tempo que passou sozinho nesse lugar. - Disse ela sem ao menos olhar para trás.

Kai arregalou os olhos.

- Espero que goste de panquecas. - disse ele ainda parado.

Bonnie se virou para ele bruscamente. Ela se lembrou das panquecas que Damon fazia todos os dias enquanto estavam presos no mundo prisão, a saudade tomou conta de seu ser, mas ela só conseguia olhar para Kai inexpressiva, por causa da ironia.

Kai deu de ombros.

Bonnie bufou e voltou a andar.

Kai sorria enquanto a via andar sem rumo.