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Coringa - O Inicio de uma História
Coringa - O Inicio de uma História


Prologo:

Hoje

       

     "Bem vindo a Gotham" dizia a placa. Joseph Kerr agora se nomeando o "Coringa" mantinha-se de pé na entrada da grande Gotham com um imenso sorriso em seu rosto pintado. Risadas doentias ecoavam na estrada vazia.                  - Olá, Gotham. - disse coringa com seu sorriso aberto e um olhar vazio, porém possessivo.

 

     Na vida passamos por momentos de felicidades, momentos de tristezas, momentos onde choramos e também momentos onde sorrimos. A linha da consciência para a loucura é tão tênue que um simples acontecimento pode cortá-la te tornando um louco para o resto do mundo, outras vezes você precisa sofrer para desencadear uma loucura. Mas o que realmente te torna louco não é você agir como se não houvesse um amanhã e aproveitar o hoje como se fosse seu último dia sem só menos pensar sobre isso, mas são as pessoas que têm medo de sua felicidade.

     Muitas pessoas veem o Coringa apenas como um psicopata louco. Mas já se perguntou qual as origens do Coringa? O que ele passou e sofreu para ser como é?

 

 

Capítulo 1- O Nascimento

 

Trinta anos atrás

 

     Izobel entrou no hospital apoiada em Jhon, seu marido. A recepção estava ocupada, pois o hospital se encontrava lotado. Os gritos de dor de Izobel incomodaram alguns enfermeiros que logo entraram com providência para com aquela pobre grávida em trabalho de parto. Eles a colocaram numa cadeira de rodas, pois as macas já estavam todas ocupadas.

     - Vai ficar tudo bem, querida! - disse Jhon segurando firme a mão de sua esposa, enquanto uma das enfermeiras empurrava a cadeira até a sala de parto.

     Os gritos persistiam. Izobel respirava rapidamente na intenção de aliviar a dor. Os enfermeiros a deitaram na cama com a ajuda de Jhon. E trocaram suas roupas numa velocidade extraordinária.

     - Coloque isso. - um dos enfermeiros entregou a Jhon uma máscara de procedimento, uma touca de proteção, capote e todos os EPI's necessários.

       Mais que depressa Jhon se vestiu. O médico examinava Izobel, enquanto isso.

     - A dilatação chegou a oito centímetros, mas o bebê já está pronto para nascer. - disse o médico a uma enfermeira que estava ao seu lado.

        - E não tem como tentar uma cesariana, doutor?

       - Não, o bebê já está prestes a nascer. - ele fez uma pausa. - Vou precisar que seja forte... - ele parou olhando para Jhon.

        - Izobel. O nome dela é Izobel. - disse Jhon assentindo.

      - Vou precisar que seja forte Izobel. Não podemos arriscar uma cesária, não na posição que seu filho se encontra, então respire e faça força quando eu disser, tudo bem?

           Izobel assentiu e soltou um urro de dor.

         Jhon correu até a cabeceira da cama e segurou novamente a mão de Izobel, enquanto a encarava afetivamente nos olhos.

     - Seja forte, querida. - ele sussurrou para ela.

     O médico deixou uma das mãos sobre a barriga de Izobel para avaliar as contrações.

     - Força... - disse ele ao sentir uma contração.

     Izobel assentiu e obedeceu.

     - Respire...

     Novamente ela obedeceu.

     - Vamos lá, querida, você consegue. - Jhon acariciou os cabelos de Izobel e sorriu para ela. - Está quase lá, só falta mais um pouco.

     Alguns minutos de passaram até que ouviram um choro estridente.

     - Parabéns, mamãe. - O médico entregou o pequeno Joseph a sua mãe.

     O sorriso de felicidade tomou conta do rosto de Izobel ao ver o rostinho do seu filho, era tão doce e frágil. Inocente.

     Jhon sorriu para ela.

     - Ele é lindo. - Sussurrou Izobel, enquanto Jhon a abraçava junto ao seu filho.

 

 

Capítulo 2- A Partida

 

 

   Após receber sua alta, Izobel voltou para sua casa com sua família e com uma enorme felicidade por ter aquele pequeno ser, que era motivo de alegria, em seus braços.

   Chegando logo à frente de sua casa, era possível perceber que não era uma casa onde reinava o luxo. Uma porta de madeira com sua parte inferior que parecia ter sido comida por cupins, e em uma das janelas um vidro quebrado que parecia ter sido quebrado por causa de brincadeiras de crianças de rua que tinham mania de atirar pedras nas janelas da vizinhança. Ao entrar na casa se via o piso de madeira antiga, um banheiro, um quarto, uma cozinha conjugada com a sala. Era uma casa simples.

   - Venha, querida, vamos mostrar a ele onde ele vai dormir. - Disse Jhon, contente.

   - Vamos. - Izobel sorria abobalhada de felicidade, afinal, seu sonho sempre foi dar a luz a um filho, e depois de tantas tentativas falhas ela, enfim, consegui.

   Izobel entrou em seu quanto com o filhos em braços e Jhon a abraçou por trás acolhendo a ela e ao mais novo membro da família. O pequeno dormia profundamente nos braços da mão. Uma respiração suave, agradável de se ouvir.

   - Olha, meu filho, aqui é nosso quarto. - Disse Izobel num sussurro.

   O quarto era a parte mais bonita da casa. Ao lado da cama do casal um lindo berço branco de detalhes azuis que dava um charme a mais ao quarto.

   - É aqui que seremos felizes para sempre, meu filho... Eu prometo.

***

   Algumas semanas se passaram. O garoto já tinha crescido poucos centímetros e estava cada dia mais esperto e Izobel cada dia mais feliz com seu filho. Uma ótima mãe. Porém, Jhon, com o passar do tempo voltou a não dormir mais em casa, voltou a fumar e usar drogas e chegava bêbado batendo e gritando com Izobel por não conseguir fazer com que Joseph calasse a boca.

 

Quatro anos depois...

 

   - Mamãe, onde o papai está? - O pequeno e inocente indagou com os olhos brilhantes.

   Izobel tinha uma imagem decadente e uma feição triste e sofrida, consequência das ações torpes de seu marido.

   - Mamãe não sabe, querido. - Ela fez uma pausa para abraça-lo. - Deve estar no trabalho. Seu pai é uma pessoa muito ocupada, filho, e... - Lágrimas gostam seu rosto macio.

   - Por que está chorando, mamãe? - Joe levou a mão até o rosto de Izobel e a acariciou, enquanto enxugava suas lágrimas.

   Izobel sorriu comovida.

   - Não é nada, querido. Não é nada. - Ela lhe deu um beijo em sua testa. - Mamãe te ama, meu amor, você sabe disso, não sabe?

   Joseph assentiu.

   A porta foi fechada com força. O garoto e sua mãe se assustaram em um repente. Jhon estava ali de pé com um cigarro na boca e uma garrafa de pinga em uma das mãos. Ele puxou o cigarro da boca com dois dedos e soltou a fumaça dando logo um gole direto da boca da garrafa.

   - O que é? - Gritou Jhon um pouco gago.

   - Vá para o quarto, querido. - Izobel ordenou a Joe.

   - Não, fique aqui, garoto. - Jhon avançou dois ou três passos. - Eu não mandei que você saísse...

   - Jhon...

   - Cala a boca. - Jhon bateu com a garrafa na mesa a quebrado e esparramando pinga por toda a cozinha. Ele jogou o que restou da garrafa no chão e deu outra tragada no cigarro.

   Joe começou a chorar, assustado.

   - Faça esse idiota calar a boca.

   Izobel conseguiu ver de relance uma marca de batom vermelho na gola da camisa quase toda aberta de Jhon.

   Ao ver que Izobel não seguiu sua ordem, ele avançou até o garoto empurrando Izobel sobre os cacos de vidro deixados pelas garrafa. Ela sentiu o líquido vermelho e quente deslizar por alguns pontos de seu braço.

   Jhon segurou Joe pelo braço, agressivamente, e apagou o cigarro em seu pequeno deltoide.

   Os gritos escandalosos do garoto fizeram com que Izobel agisse com o instinto protetor de todas as mães da natureza desde humanos à toda espécie de animais. Ela pegou o pedaço de vidro que Jhon deixou cair e acertou-lhe com apenas um golpe. Jhon foi ao chão inconsciente .

   Izobel ao ver que seu marido sangrava freneticamente pegou seu filho em seus braços, apavorada.

   - Vem, querido, vamos embora dessa casa.

   Ela correu para o quarto e pegou apenas o necessário, tomou seu filho nos braços novamente e saiu dali o mais rápido que pôde.

 

 

Capítulo 3 - Dias de Luta

 

 

          Izobel levou Joseph para a casa de seu pai. Sua mãe faleceu quando ela tinha dezessete anos. Seu pai, que já era idoso de oitenta anos e doente, os aceitou de braços abertos.

          O tempo se passou. Ficaram dois anos vivendo sem nenhum grande problema, mas isso não durou por muito tempo. A morte de seu avô acabou desestabilizando suas vidas. Izobel fora sentia de seu trabalho, dias após a morte de seu pai.

          O dinheiro deixado por ele durou por algum tempo, o suficiente para dar tempo de Izobel conseguir outro trabalho.

 

Três anos depois...

 

          Joseph abre a porta da frente e entra com uma mochila nas costas, cabisbaixo, ele entra na cozinha e pega um pote com comprimidos de todas as cores, e enche a mão com eles. Ele vai até a pia, pega um copo e o enche com água.

          Joseph colocou um sorriso forçado em seu rosto e foi até um dos quartos da casa. Assim que ele abriu a porta, viu ali sua mãe deitada. O suor tomava conta do rosto dela, a respiração ofegante.

          - Oi, querido. - a voz de Izobel era fraca.

          - Oi, mamãe, como você está? - ele a beijou na testa. - Aqui os seus remédios.

          - Obrigado, meu filho. - ela tomou os remédios e voltou a se deitar com dificuldade. - Estou do mesmo jeito, querido.

          - Você vai ficar bem, mamãe. Eu vou cuidar de você.

          Izobel sorriu.

          - Você não devia estar passando por isso. Você tem apenas nove anos, é só uma criança.

          Joseph se afastou e colocou o copo sobre uma mesinha que ficava ao lado da cama. Ele foi até o canto do quarto e se sentou após tirar a mochila das costas.

          - Como foi hoje no escola?

          - Bem.

          - Aqueles garotos pararam de te provocar?

          - Não se preocupe comigo, mamãe. Tenta dormir, e descansar. - ele se levantou e foi até ela novamente, segurou sua mão e a beijou. - Eu estou bem. Tenho dever para fazer. Vou ficar aqui caso precisar de algo.

          - Obrigado querido.

          - Eu te amo, mamãe. Você cuidou de mim durante todo o tempo, e agora é a minha vez de retribuir. Agora descansa.

          Joseph ficou ali até Izobel pegar no sono. Os remédios a faziam dormir, para que não sentisse tanta dor. Ele voltou para o canto do quarto onde ficou sua mochila, e tirou os cadernos de dentro dela para fazer seus deveres.

***

          O sinal para o intervalo soou. Joseph foi o último a se levantar para deixar a sala de aula. Sra. Collins, a professora, o parou na porta, queria saber como estava sua mãe. E se ele precisava de algo. Joseph sempre foi muito educado, e muito tímido. Ele, por mais que precisasse de dinheiro, comida, e alguém para ajudar nas atividades de casa para mantê-la em ordem, sempre negava.

          As outras crianças corriam pela escola brincando de pique-esconde e pega-pega, sorridentes, se divertindo entre si. Joseph não tinha muitos amigos. Aliás, ele não tinha nenhum amigo.

          - Qual é, babaca? - Gabriel, um dos garotos valentões, derrubou os livros que Joseph carregava. Joseph não revidava, sempre ficava calado e quieto independente da situação. - Pega do chão. - Joseph continuou parado de pé o olhando com medo. - Eu estou falando com você, esquisito. Pega logo.

          Joseph se abaixou para pegar os livros e foi surpreendido com um chute que acertou seu rosto e o derrubou. Ele levou a mão até o nariz e quando tirou a mão, sentiu o líquido quente descer em um fio grosso.

         Risos ecoaram nos ouvidos de Joseph que pegou os livros rapidamente com lágrimas nos olhos, e correu dali. Ele sentia o vento bater em seu rosto, mas não se importava. Joseph só queria estar o mais longe possível dali.

***

          Joseph chegou em casa ainda chorando, mas para não preocupar sua mãe ele secou as lágrimas e tentou limpar o sangue que já havia secado. Ele entrou devagar para não fazer barulho. E fez a mesma coisa que fazia todos os dias, vai até a cozinha, pega o pote com os comprimidos de sua mãe, enche a mão com eles, vai até a pia, pega um copo e o enche com água, coloca um sorriso forçado em seu rosto para ir até o quarto onde sua mãe está.

          Quando ele entrou no quarto viu sua mãe quieta e com os olhos fechados. Ele ficou feliz por ver sua mãe dormindo sem precisar dos remédios. Joseph olhou para o relógio e percebeu que tinha chegado mais cedo do que o normal. Ainda faltavam dez minutos para sua mãe tomar os remédios. Ele os deixou sobre a mesa junto com o copo e se sentou no canto do quarto.

          A hora se passou, e Joe se levantou, pegou os comprimidos e o copo com água.

          - Mamãe, acorde. Está na hora de tomar seus remédios. - sem respostas. - Mamãe... - ele colocou o copo e os comprimidos de volta na mesa. - Mamãe, acorda. - ele começou a sacudi-la com cuidado. Sem resposta. A partir dali, ele começou a se desesperar. - Mamãe... Mamãe, acorda... - a voz ficava cada vez mais alta. - MAMÃE... - ele se deitou sobre o seu peito aos prantos.

 

 

 

Capítulo 4 - Abuso

 

 

 

      Os dias se passaram e Joe foi levado para o orfanato da cidade. Agora, sem família, ele não tinha mais quem o protegesse. Tinha apenas a incerteza de um pai que nunca o procurou, e que ele não fazer ideia de se ao menos estava vivo.

      Nos primeiros dias foi difícil de se acostumar com o novo lar, e com a nova família. O pequeno garoto vivia chorando pelos cantos com saudade de sua antiga vida, saudade de sua mãe.

      Sra. Collins apareceu no orfanato dos de um mês que estava lá, ela queria adotá-lo. Joe gostou da ideia, pois Sra. Collins sente foi muito boa com ele, e ele acreditava que viver com ela seria melhor do que ficar naquele lugar imundo até completar os seus dezoito anos de idade. Infelizmente, foi avaliado que as condições de vida da Sra. Collins não eram adequadas para que ela adotasse uma criança. "Divorciada e com um salário de professora, não poderá dar uma boa vida ao garoto" foi o que disseram a ela, que voltou triste para casa com não conseguir ajudar seu aluno predileto, o mais comportado, mais educado, mais estudioso, mais inteligente...

 

Um ano depois...

 

      Vic, uma das funcionárias do orfanato, a mais próxima de Joseph, e uma das mais idosas, faleceu, assim passando a responsabilidade de cuidar de Joe para Vincent, um brutamontes que parecia mais um armário do que uma pessoa. Ele era rígido e costumava bater nas crianças que o desobedecesse.

      Joe, desde que chegou ao orfanato, era um dos moradores mais comportados. Na verdade ele não conversava muito, vivia em seu canto e não tentava fazer amizade com nenhum dos outros garotos. 

      - Hora só banho, garotinhos. - disse Vicent, marrento, ao entrar no quarto, onde dormiam Joe e Nádia três garotos.

      Joe foi o último a as levantar. Seu jeito reprimido o fazia parecer mais estranho que o normal. Ele andou até a porta, mas foi interrompido pelo braço de Vicent que se colocou em sua frente.

      - Você não conversa muito, não é garoto?

      Joe permaneceu calado e de cabeça baixa. Ele sentia as lágrimas chegarem aos olhos, mas elas não caíram.

      Vicent baixou o braço o permitindo passar.

 

      Os garotos se banhavam enquanto Vicent os observava com a desculpa que os estava vigiando.

      - Já para o quarto de vocês. - disse Vicent ao ver que já haviam terminado o banho. Os quatro garotos se envolveram em toalhas e se voltaram para a porta indo em direção ao quarto. - Você fica, Joseph Kerr. - Ele tranca a porta do banheiro e anda até o pequeno garoto que se encolhe contra a parede. - Não tenha medo, Joe. - ele sussurrou para o pequeno. Vicent andou até ele lentamente e se ajoelho de frente ao garoto. - Quantos anos você tem, garoto?

      Joe ficou calado por momento.

      - Fiz dez hoje. - Respondeu ele, tímido.

      - Que legal. É seu aniversário. - ele sorriu. - E você quer ganhar um presente? - Vicent tocou o rosto de Joseph docilmente.

      - Quero sair daqui.

      - Eu te ajudo a sair daqui. Você quer?

      Joe assentiu.

      - Quero.

      - Mas você tem que fazer uma coisa que eu quero. Você topa?

      Joseph assentiu novamente.

      - Ótimo. Vamos nos dar muito bem. - ele sorriu para Joseph e derrubou sua toalha lhe expondo o corpo franzino.